DIÁRIO DE VIAGEM
texto e fotos Graziela Scudeler Zani
Os aventureiros dos Andes
Conhecer Machu Picchu era um desejo antigo, então resolvemos realizá-lo em nossa lua-de-mel.
Andamos como mochileiros e iniciamos nosso roteiro na Bolívia, mais precisamente em La Paz. A cidade é impressionante, com dois lados bem distintos: praças e construções imponentes rodeadas com um trânsito caótico, mercados nas ruas, com uma população vivendo precariamente e com muita história para contar.
Fomos muito bem recebidos pelos bolivianos. Eles adoram os brasileiros, falam do futebol, do Maracanã, do Rio de Janeiro e muitos ainda gostam das nossas músicas. Fomos num barzinho em Copacabana que a banda tocou um repertório enorme de bossa nova.
Em La Paz conhecemos Chacaltaya, uma estação de esqui com 5.300 metros de altitude, com uma vista maravilhosa. Conhecemos também o Vale de la Luna, igrejas, Tiwanaku e o museu da coca. Devido à sua localização, a 3.650 metros de altitude, quem vai a La Paz sente os efeitos da mesma (dores de cabeça e principalmente falta de ar). A população, já habituada, consome muito a folha da coca, fazendo chá ou mascando a própria folha para enfrentar esses problemas. E pode acreditar: você passa mal mesmo! O negócio é se juntar a eles e tomar muito “mate de coca”.
Para chegarmos ao Salar do Uyuni, pegamos um ônibus que parecia ser bom, mas tinha vidros remendados com fita durex, um saco de folha de coca do lado do motorista que mascou a noite toda e o bagageiro balançava muito, parecia que ia cair na nossa cabeça.
O Salar do Uyuni é a maior planície de sal da Terra. Uma paisagem única! Ali, as pessoas vivem do sal, constroem casas, cadeiras, mesas, artesanato -tudo de sal.
Saindo do salar atravessamos o deserto num carro 4x4 com mais quatro pessoas e dormimos em alojamentos. A paisagem do deserto impressiona a cada momento, com vulcões ativos, formações rochosas, lagoas congeladas, flamingos cor-de-rosa, gêiseres, piscina natural com água quente, céu azul, sol e muito frio! Na madrugada da segunda noite no alojamento, na Laguna Colorada, fez um frio de -15º sem calefação, sem água quente no chuveiro e sem banho também!
As pessoas não acreditavam que nós estávamos em lua-de-mel.
Bom, a aventura no deserto acabou ali. Atravessamos o Chile, conhecemos San Pedro de Atacama, que é uma cidadezinha linda e partimos para Arica. Vimos o oceano Pacífico e seguimos viagem, cruzando a fronteira com o Peru.
Já no Peru passamos por Tacna até chegarmos a Arequipa. Dessa vez a viagem foi longa, mas foi bem mais tranqüila, pois a estrutura rodoviária do Peru e do Chile é bem melhor comparada com a da Bolívia.
Arequipa é uma cidade linda e aconchegante. É dela que sai o passeio para o cânion Del Colca. O cânion é um lugar maravilhoso! São dois dias de passeio conhecendo Chivay e outros vilarejos com muitos animais e peruanos trajados tipicamente, prontos a serem fotografados, desde que haja uma propina é claro (gorjeta para eles).
Chegamos bem cedo ao cânion para vermos os condores. Tivemos sorte, vimos quatro deles. O condor é um pássaro que chega a ter três metros de envergadura e seu vôo é hipnotizante, muito lindo!
Já em Cuzco é tudo muito organizado para receber os turistas. Conhecemos o Vale Sagrado e muitas outras construções incas. Histórias e mais histórias são contadas ao longo dos passeios.
De lá pegamos o trem e fomos até Machu Picchu num caminho lindo entre as montanhas. Mesmo antes de entrar na cidade de Machu Picchu precisei parar para apreciar a imensidão das montanhas - inacreditável estar ali! O lugar é um espetáculo!
Em Puno, ainda no Peru, conhecemos as ilhas flutuantes de Uros, no Lago Titicaca. Fugidos dos incas, os povos de Uros (índios aimaras) passaram a morar em embarcações no lago. Com o tempo aprenderam a construir ilhas inteiras a partir de uma planta que cresce no lago e vivem assim até hoje. Muito curioso.
Saindo do Peru e retornando à Bolívia, paramos em Copacabana. Ali conhecemos a Ilha do Sol, com uma paisagem totalmente diferente da que vimos até então, num lindo passeio pelas águas do lago Titicaca.
A viagem valeu muito! Voltamos encantados com tamanha diversidade cultural e beleza natural do que vimos.
Viajar é sempre muito bom!
Graziela Scudeler Zani é fotógrafa e viajou para a região dos Andes em lua-de-mel com o marido Denis Rodrigo Joaquim. Ela escreveu esta matéria especialmente para a Revista Regional. Contato: (19) 91911614); site: www.grazielascudeler.com.br
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